sábado, 15 de março de 2014

Entidades civis ao redor do mundo se unem na Semana de Consciência sobre o Sal

Idec participa da campanha para orientar os consumidores a diminuírem o sal na alimentação


A Wash (Ação Global sobre Sal e Saúde, em português) é uma campanha para redução do consumo de sal para toda população que valoriza a importância de as pessoas saberem o que estão comendo e colocarem sua saúde em primeiro lugar. Neste ano de 2014, a campanha está focada em melhorar a rotulagem nutricional, investigar a atual tendência global sobre a rotulagem nutricional, avaliar os países que já implementaram a rotulagem clara e consistente e orientar os países que ainda precisam fazê-lo. 
 
A Semana da Consciência sobre o Sal, que acontece de 10 a 15/3, faz parte da campanha do grupo Wash e recebe apoio de diversas organizações ao redor do mundo, incluindo o Idec. A campanha tem também o objetivo de instruir os consumidores a optarem por alimentos com menos sal, utilizando-se mais das informações das embalagens dos alimentos industrializados.
 
“O Idec apoia essa iniciativa mundial porque é necessário combater o avanço das doenças crônicas em todas as frentes possíveis. O consumo excessivo de sal é um dos fatores de risco possíveis de ser modificado com mudança de hábitos alimentares da população e com a diminuição efetiva do teor de sódio dos produtos alimentícios. Saber mais sobre os alimentos que comemos e exigir produtos mais saudáveis são passos importantes para que essa mudança aconteça”, afirma a pesquisadora e nutricionista do Idec, Ana Paula Bortoletto.
 
Em suas mídias sociais o Idec irá divulgar informações sobre a campanha e dicas de consumo. Acompanhem no Twitter eFacebook usando a hashag #menossal. 
 
Consumo de sódio no Brasil
A maior parte do sódio consumido no Brasil hoje vem do sal de cozinha, pois o padrão alimentar do brasileiro, felizmente, ainda é baseado em alimentos frescos e refeições preparadas a partir da combinação de alimentos e ingredientes culinários. Apesar disso, pesquisas de orçamentos familiares indicam o aumento do consumo de sódio contido em alimentos prontos para o consumo com adição de sal (de 16% para 19%). Esse aumento fica ainda mais intenso com o aumento da renda (de 12% entre os mais pobres para 27% entre os mais ricos). 
 
O consumo excessivo de sódio pode provocar aumento da pressão sanguínea e hipertensão, uma doença crônica que atinge cerca de um quarto da população adulta que vive nas capitais do País. O brasileiro consome cerca de 5 g de sódio por dia, valor que excede em mais de duas vezes o limite recomendado de ingestão da Organização Mundial da Saúde (2 g/dia). 
 
Como identificar se um alimento é rico em sódio?
No Brasil, é obrigatória a declaração do teor de sódio em  todos os alimentos embalados. Essa informação aparece na tabela nutricional, em miligramas por porção de alimento e com a porcentagem que o consumo dessa porção de produto equivale ao valor diário recomendado. Segundo o Ministério da Saúde, se a quantidade de sódio for superior a 400 mg, em 100 g do alimento, este é considerado um alimento rico em sódio, sendo prejudicial à saúde e, portanto, devendo ser evitado. 
 
Outra maneira de identificar se o alimento possui muito sódio, é olhando a lista de ingredientes, que indica qual a composição do produto alimentício. Eles são listados na ordem decrescente de concentração, ou seja, se um ingrediente aparece como primeiro da lista, significa que maior parte do produto é composta por ele.
 
Confira na imagem abaixo como ler a tabela nutricional dos alimentos:
 
 
Diferença entre Sal e Sódio
O sal que compramos no mercado para cozinhar chama-se cloreto de sódio, ou seja, é a combinação de dois elementos químicos. O Sal é importante para a conservação dos alimentos. Sua composição é de quase 40% de sódio para 60%, aproximadamente de cloro. 
 
O sódio, objeto dessa campanha, é diferente do sal de cozinha (Cloreto de Sódio). É um mineral puro utilizado na indústria alimentícia (em excesso!) para dar sabor e também conservar os alimentos industrializados. 
 
Ou seja, para controlar o sódio na alimentação não basta reduzir o consumo de sal de cozinha, mas também observar nos rótulos o quanto de sódio aquele alimento possui. Devido ao consumo excessivo de sódio na população brasileira, o Ministério da Saúde assinou acordos voluntários com a indústria para redução desse nutriente nos alimentos industrializados. O Idec acompanha e avalia esse processo. Leia mais sobre esse assunto aqui. Em 2013, a Anvisa fez uma pesquisa sobre o teor de sódio nos alimentos processados, confira o resultado aqui
 
Dicas para reduzir o consumo de sódio
 
- Saiba quais alimentos são ricos em sódio e tente trocar estes por alternativas mais saudáveis. Alimentos ricos em sódio incluem: 
 
a) carnes e peixes processados como presunto, bacon, salame, linguiça, patê, peixe defumado;
b) refeições prontas ou “snacks” como pizza, pastéis, hamburguers e outros lanches prontos, sopas em lata ou pacote;
c) salgadinhos como batatas fritas, pipoca salgada;
d)  temperos e molhos prontos;
 
- Procure por versões dos alimentos com menos sal e "sem adição de sal", quando for comprar, por exemplo, vegetais enlatados e conservas;
 
- Compare a quantidade de sódio nos alimentos, observando as informações nutricionais no verso das embalagens. Opte sempre por escolher aquele que possui menos sódio;
 
- Evite usar temperos prontos e caldos concentrados, eles são ricos em sódio, glutamato monossódico entre outros;
 
-Utilize ervas desidratadas, temperos naturais, pimenta e sucos de frutas para temperar os alimentos;
 
- Evite também o uso de gordura animal como o bacon, toucinho, entre outros;
 
- Não utilize saleiro à mesa;
 
- Não acrescente sal no alimento depois de pronto.
 
FONTE: http://www.idec.org.br/em-acao/em-foco/entidades-civis-ao-redor-do-mundo-se-unem-na-semana-de-consciencia-sobre-o-sal

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

GOJI BERRY: SERÁ QUE EMAGRECE?

De volta aos milagres para o emagrecimento... o assunto da vez é a Goji Berry o principal componente da chamada “farinha seca barriga”. Duvido que alguém que esteja correndo atrás da perda de peso nunca tenha ouvido falar ou até mesmo já tenha comprado. Bom, vamos lá!
A Goji berry (Lycium barbarum) é uma fruta de coloração avermelhada e sabor levemente azedo. Goji (Lycium barbarum, Solanaceae) ou goji berry, tem  tradicionalmente sido usada na medicina tradicional chinesa há vários séculos. Recentes pesquisas sugerem uma série de benefícios potenciais à saúde incluindo efeitos antioxidantes e atividades anti-tumorais, bem como neuroprotetoras.
Devido a uma série de supostos efeitos terapêuticos, o alimento ganhou o status de “super alimento” entre os orientais, e vem sendo atualmente difundida em vários países do mundo. Ainda existem poucos estudos científicos que explicam os benefícios desta fruta. Contudo, atualmente alguns têm demonstrado que o consumo diário do suco de Goji berry aumentou significativamente a sensação de bem-estar, melhora da função gastrointestinal e neurológica. Além disso, este fruto pode apresentar efeitos positivos no tratamento de doenças como a aterosclerose, câncer, diabetes, efeito hepatoprotetor e neuroprotetor e ainda pode auxiliar no tratamento da hipertensão arterial.
As principais formas de consumo desta fruta é in natura ou em preparações como passas ou sucos. No Brasil ela é encontrada desidratada ou na forma de extrato. A Goji apresenta apreciado valor nutricional, especialmente devido aos seus teores de vitaminas, minerais e fibras, além de pigmentos como os carotenoides e a zeaxantina.

Composição nutricional da Goji Berry (em 100g)
Energia (Kcal) ---------------------------------------------------------- 370

Gorduras totais (g) ------------------------------------------------------ 8,2

Proteínas (g) ----------------------------------------------------------- 11,7

Carboidratos (g) ------------------------------------------------------- 67,7

Fibras (g) -------------------------------------------------------------- 10,0

Cálcio (mg)------------------------------------------------------------- 112

Cobre (mg)---------------------------------------------------------------- 2

Ferro (mg)----------------------------------------------------------------- 9

Magnésio (mg)---------------------------------------------------------- 109

Fósforo (mg)------------------------------------------------------------ 109

Potássio (mg)---------------------------------------------------------- 1132

Sódio (mg)-------------------------------------------------------------- 150

Zinco (mg)----------------------------------------------------------------- 2

Tiamina (B1) (mg)------------------------------------------------------ 0,15

Vitamina C (mg)---------------------------------------------------------- 29

De acordo com evidências da literatura, a composição acima descrita, está associada a benefícios na função ocular, sendo utilizado para a prevenção da degeneração macular. Além disso, as formas presentes de carboidratos (galactose, glicose, arabinose, manose, ramnose e xilose) associa-se a diferentes ações terapêuticas, que incluem fortalecimento do sistema imunológico e das funções neurocognifivas, proteção contra o envelhecimento e prevenção contra certos tipos de câncer.
É importante destacas que as pesquisas investigando os efeitos da Goji berry sobre a saúde foram realizadas em modelos animais e, em maioria, tratam-se de estudos in vitro ou in vivo, com escassas as pesquisas em humanos. Apesar dos múltiplos benefícios sugeridos, há relatos na literatura de reações alérgicas após o consumo, com sintomas respiratórios e cutâneos em indivíduos sensíveis a determinadas proteínas presentes na fruta. Desta maneira, é essencial que mais estudos sejam necessários para que os benefícios terapêuticos desse alimento sejam reconhecidos pela literatura.
Sim, eu sei que agora você esta esperando que sejam citados aqui quais seriam os mecanismos envolvidos na perda de peso.  Bem a verdade é que não se sabe! Não há nenhum estudo científico que comprove que a fruta realmente promova isso. Foram citados aqui diversos outros benefícios, porém não há artigos científicos que comprovem esse “super efeito” emagrecedor que tem sido tão difundido em alguns sites por ai, inclusive em academias. Ou seja: a Goji Berry NÃO EMAGRECE!
Por isso galera antes de gastar o seu dinheiro comprando a tal “farinha seca barriga”, que tal modificar seus hábitos e incluir a Goji dentro de uma alimentação saudável? Isso sim é garantia de perda de peso de forma saudável! Fica a dica!

  • ·        Xiaogang Du et al. Dietary Wolfberry Supplementation Enhances the Protective Effect of Flu Vaccine against Influenza Challenge in Aged Mice. J. Nutr. February 1, 2014vol. 144 no. 2 224-229
  • ·         Benefícios das Goji Berries à Saúde. Disponível em: http://www.rgnutri.com.br/sqv/curiosidades/bgb.php
  • ·         Portal Nestlé Nutri Saúde. Disponível em: http://www.nestle.com.br/nestlenutrisaude/

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

SHAKES: SERÁ QUE VALE A PENA?

Volta e meia algum paciente pergunta se pode ou não tomar shakes e se eles realmente ajudam a emagrecer...A resposta é sempre a mesma: não indico! Shakes são verdadeiras “ilusões de emagrecimento”. É como se fosse a tal poção mágica que todos esperam que vai fazer...milagres!
A primeira vista é claro que o shake irá levar a perda de peso. Imagina você substituir seu almoço, que pode conter de 500 a 800 calorias (dependendo das suas necessidades calóricas), por um shake com 100 calorias. Óbvio que essa diminuição drástica de calorias vai provocar uma redução no peso corporal. Sabe-se que o excesso de peso é um desequilíbrio entre o gasto e ganho energético, sendo assim quanto menos calorias você ingerir, menos peso irá ganhar.
Mas, pensemos nisso a longo prazo...Quem aguentará tomar shakes o resto da vida? Acredito que ninguém! O que geralmente acontece é que entre aqueles que usam e perdem o peso desejado, assim que retomam a alimentação normal, ganham todo o peso perdido.
Por isso o melhor é a boa e velha REEDUCAÇÃO ALIMENTAR! Sim, porque com ela você aprende a comer direito. Aprende a escolher melhor os alimentos e não precisa se privar de nada! 
É importante saber também que os shakes não contêm todas as vitaminas e minerais que nós precisamos e que estão presentes naturalmente nos alimentos. Além disso, alguns são ricos em sódio e conservantes e não se sabe quais poderiam ser os malefícios do uso destes a longo prazo.

Portanto nada de tomar medidas drásticas! A perda de peso deve ocorrer de forma lenta e gradativa para que possa ser efetiva. A alimentação adequada somada a atividade física irá fazer com que você perca peso de maneira saudável e que principalmente mantenha o peso. Procure sempre um profissional qualificado (dê preferência um nutricionista) que possa te mostrar como mudar seus hábitos alimentares. A sua saúde agradece!

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O QUE COMER NAS FESTAS DE FIM DE ANO?

Fim de ano está aí e as festas se aproximam! Como já é de costume, o blog Nutrição & Qualidade de Vida não poderia deixar de dar aquelas dicas que são sempre bem-vindas para você curtir as festas sem deixar a saúde de lado!
  • ·         Cuidado com os excessos, mas não se prive de experimentar as coisas que gosta!
  • ·         Na ceia, coma antes um prato de salada! As hortaliças são ricas em fibras que dão mais saciedade!
  • ·         Na noite da ceia de Natal, prefira as frutas de sobremesa!
  • ·         Deixe os doces de sobremesas para o almoço do dia 25. Mas, lembre-se de preferir sempre aqueles a base de frutas e não exagere na quantidade!
  • ·         Evite refrigerantes e bebidas alcoólicas em excesso, prefira sucos naturais, chás e água. 
  • ·     Faça sua alimentação normalmente nos dias de festa! Alimente-se de 3 em 3 horas e não deixe de fazer nenhuma refeição! Isso vai fazer com que você não esteja morrendo de fome na hora da ceia e queira comer tudo que vê pela frente!
  • ·      Na hora de escolher a carne prefira carnes de aves (peru, frango, chester), peixes, lombo de porco magro.
  • ·         Evite as carnes gordurosas, como tender, leitão, costela, etc.
  • ·         Evite as frituras, que são altamente calóricas, e prefira os assados, cozidos e grelhados!
  • ·         Caso seja, você quem vá preparar a ceia, opte por produtos na sua versão light como creme de leite, margarina, maionese, etc.
  • ·      Ao em vez de preparar molhos a base de maionese, faça-os com iogurte, limão ou os chutney (molhos à base de frutas). 

BOAS FESTAS!!!



segunda-feira, 22 de abril de 2013

Chocolate amargo pode até ajudar a emagrecer, sugerem pesquisas


ALCIONE HERZOGCOLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Vedete de pesquisas científicas recentes, o chocolate, além de tudo, é agora um possível aliado na luta para a perda de peso, conforme um estudo feito pela Universidade da Califórnia.O trabalho, publicado na revista americana "Archives of Internal Medicine", analisou os hábitos alimentares de 972 pessoas entre 20 e 85 anos sem doenças cardiovasculares, diabetes ou colesterol.Entre os voluntários, aqueles que relataram comer chocolate mais vezes, mesmo mantendo no cardápio uma quantidade maior de gordura saturada e calorias, foram os que tiveram menor IMC (índice de massa corporal). O benefício atribuído ao alimentofoi identificado até entre os participantes que não praticavam atividades físicas. O trabalho não investigou como isso acontece. Porém, há algumas hipóteses. Beatrice Golomb, autora do estudo, afirmou a jornais americanos que os ácidos fenólicos presentes no cacau, como os flavonoides, ajudam a equilibrar a produção do hormônio leptina, que se comunica com o hipotálamo, no cérebro, aumentando a sensação de saciedade e acelerando a queima calórica.
Outro estudo, da Universidade Real de Copenhague, avaliou o apetite de 16 jovens saudáveis antes e depois da ingestão 100 g de chocolate amargo ou ao leite.
"Sempre que comiam o chocolate amargo, os participantes sentiam menos fome e consumiam menos alimentos", afirmou à Folha a pesquisadora Lone Sorensen, coordenadora da pesquisa.
A ingestão de calorias pós-chocolate amargo foi 15% menor em comparação com consumo pós-chocolate ao leite. Para ela, uma explicação é o alto teor de manteiga de cacau no produto, que significa mais ácido esteárico (tipo de ácido graxo). A substância retarda o esvaziamento do estômago e do intestino.

CONTROLE DO APETITE
O chocolate ganhou status de alimento funcional por causa dos flavonoides presentes nas sementes do cacau. Essas substâncias têm poder antioxidante, melhoram a circulação e o funcionamento das células cardíacas, explica a nutricionista Milene Pufal, da PUC-RS.
Para conseguir esses benefícios, quanto mais cacau, melhor, por isso a indicação do tipo amargo. Depois de estudar 16 pesquisas científicas sobre o assunto, a nutricionista Vanderli Marchiori passou a indicar o chocolate com alto teor de cacau a pacientes que precisam controlar o apetite. Ela recomenda de 20 a 40 gramas ao dia para qualquer dieta, como arma para diminuir a vontade de comer doce.
Marchiori explica que o equilíbrio do hormônio leptina ativa os receptores opioides, localizados no sistema límbico (parte do cérebro responsável pelas emoções). Esses receptores reduzem a compulsão alimentar. "Eles diminuem as chances de recaída entre pessoas viciadas em açúcar."

FALTAM ESTUDOS
Mais cauteloso, o endocrinologista Marcio Mancini, chefe do Grupo de Obesidade do Hospital das Clínicas de São Paulo, afirma que são necessárias mais evidências para associar chocolate e redução de peso."Há apenas um estudo em ratos mostrando que os polifenois do cacau promovem uma redução de massa, diminuindo o armazenamento de gordura por maior gasto de energia celular."
Para quem deseja emagrecer, Sorensen lembra que, amargo ou não, o chocolate é rico em energia. "São até 500 calorias para cada 100 gramas. Não é para comer grandes quantidades. Mas é uma ótima ideia trocar a versão ao leite pelo chocolate amargo, porque ele satisfaz o desejo de doces por um longo tempo", diz ela.
A pesquisadora Adriana Buitrago Lopez, do Departamento de Cardiologia da Universidade de Roterdã, na Holanda, afirma que o consumo de grandes quantidades de chocolate pode anular seus benefícios. "Leva ao ganho de peso, o que aumenta o risco cardíaco", alerta.
Lopez participou de um estudo que envolveu cem mil pessoas e avaliou o efeito da ingestão de chocolate sobre a incidência de ataques cardíacos e derrames.

PROBLEMA DE SABOR
Além das calorias, outro porém do chocolate amargo é o sabor. "Muitos consumidores ainda não estão adaptados", diz Cynthia Ditchfield, engenheira química e professora da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP.
Ela e outras professoras estudam, desde 2009, uma maneira de deixar o chocolate com alto teor de cacau (acima de 50%) menos amargo.
A pesquisa aborda as variedades de cacau utilizadas, a microbiologia e os processos produtivos. Cor, textura, acidez, teor de lipídeos, açúcares e proteínas, tudo está sendo levado em conta.
A conclusão preliminar é que há margem para avanços, que podem ser conquistados a partir de fatores que vão desde a seleção e a separação das amêndoas do cacau até o aperfeiçoamento na fabricação do produto. "É possível substituir processos industriais e melhorar o sabor do chocolate amargo. Entretanto, na grande indústria o espaço para essas mudanças é menor, o que indica que os chocolates com mais cacau continuarão a ter uma produção mais restrita e segmentada", diz Ditchfield.

FONTE: JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO - FOLHA EQUILÍBRIO: TERÇA-FEIRA 26 DE MARÇO DE 2013.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Mais potássio na dieta reduz risco de derrame


Um incremento no consumo de frutas e legumes frescos e uma redução na ingestão de alimentos industrializados podem aumentar a presença do potássio na dieta e levar a uma redução de 24% no risco de derrames cerebrais na população.Hoje, a doença é a principal causa de morte e incapacidade no Brasil.
A indicação vem de uma grande revisão de estudos liderada por pesquisadores da OMS (Organização Mundial da Saúde) e publicada no "British Medical Journal". O trabalho envolve dados de quase 130 mil pessoas saudáveis e mostra que, entre as que consumiam mais potássio (de 3,5 g a 4,7 g por dia), o risco de derrame era 24% menor do que no grupo que ingeria menos desse nutriente.
O potássio é essencial para o funcionamento celular e serve como contraponto à ação do sódio, componente do sal fortemente ligado à hipertensão, que é fator de risco para derrames e outras doenças cardiovasculares.
O trabalho sobre potássio, assinado por Nancy Aburto, do Departamento de Nutrição para a Saúde e o Desenvolvimento da OMS, é acompanhado por outras duas revisões de estudos a respeito do efeito de reduções do consumo de sódio na pressão.
Que cortar o sal da dieta ajuda a controlar a pressão é mais do que sabido. O que ainda se discute são as metas ideais de consumo diário -e como implementá-las. Hoje, a OMS recomenda até 5 g de sal por dia --o equivalente a 2 g de sódio. De acordo com o trabalho liderado pelo pesquisador Feng He, da Universidade de Londres, diminuir o consumo de sal dos atuais 9 g a 12 g observados em média na população para 5 g já teria um grande impacto, mas um corte mais radical, para 3 g, seria ainda melhor para o controle da pressão arterial. "Essa é uma ótima meta, mas muito difícil de cumprir", afirma o nutrólogo e cardiologista Daniel Magnoni, diretor de nutrição do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. "Os alimentos industrializados não estão prontos para isso nem as pessoas."
O governo brasileiro estabeleceu metas de redução de sódio para os alimentos industrializados, mas o acordo foi visto como tímido por alguns especialistas.

FONTE: DÉBORA MISMETTI - EDITORA DE "CIÊNCIA+SAÚDE".Jornal Folha de São Paulo, 05 de Abril de 2013.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Propriedades Nutricionais do Gengibre


Quais são as principais propriedades nutricionais e aplicações clínicas do gengibre?

O gengibre (Zingiber officinale) pertence à família Zingiberaceae. As plantas desta família, em geral, apresentam grandes quantidades de fitoquímicos e no caso específico do gengibre, os compostos responsáveis pela pungência (ardência) são principalmente os gingeróis, considerados os principais compostos bioativos de alimentos dessa espécie. Esses compostos, principalmente o 6-gingerol, são os componentes mais ativos, que se destaca por sua atividade antioxidante.
De maneira geral, os estudos científicos têm demonstrado que o gengibre possui propriedades antimicrobianas, anti-inflamatórias, antioxidantes, hipoglicemiantes, hepatoprotetora e hipocolesterolêmica.
Diversos compostos presentes no gengibre possuem atividade antitumorigênicas, principalmente o 6-gingerol, 6-shogaol, 6-paradol e zerumbone. Estudos realizados in vitro e in vivo demonstraram que o gengibre e seus compostos isolados podem ser eficazes no controle do câncer gástrico, coloretal, ovário, fígado e da pele. O gengibre também tem sido considerado efetivo para o tratamento de náuseas e vômitos associados com a quimioterapia e na gestação.
A atividade anti-inflamatória do gengibre tem sido bastante evidenciada nos estudos. Os principais mecanismos são a inibição de ciclooxigenase-2 (COX-2) e lipoxigenase-5, que são moléculas inflamatórias mais envolvidas nos processos de desenvolvimento tumoral e, em particular, do câncer coloretal. Além disso, o gengibre diminui a produção de citocinas pró-inflamatórias como fator de necrose tumoral alfa (TNF-alfa), interleucina (IL)-1, IL-1beta e IL-2, bem como preserva as citocinas anti-inflamatórias como IL-10 e IL-4. Os estudos relatam que, por essas razões, além da propriedade anti-inflamatória, o gengibre possui atividade analgésica, devido à atuação dessas moléculas na dor associada à inflamação.

Bibliografia (s)

Baliga MS, Haniadka R, Pereira MM, D'Souza JJ, Pallaty PL, Bhat HP, Popuri S. Update on the chemopreventive effects of ginger and its phytochemicals. Crit Rev Food Sci Nutr. 2011;51(6):499-523.

Butt MS, Sultan MT. Ginger and its health claims: molecular aspects. Crit Rev Food Sci Nutr. 2011;51(5):383-93.

Ryan JL, Heckler CE, Roscoe JA, Dakhil SR, Kirshner J, Flynn PJ, et al. Ginger (Zingiber officinale) reduces acute chemotherapy-induced nausea: a URCC CCOP study of 576 patients. Support Care Cancer. 2012;20(7):1479-89.
                              
TEXTO EXTRAÍDO DO SITE NUTRITOTAL. DISPONÍVEL EM: http://www.nutritotal.com.br/perguntas/?acao=bu&id=735&categoria=28