terça-feira, 24 de abril de 2012

ALIMENTAÇÃO NA GASTRITE

               A gastrite é uma inflamação da mucosa gástrica. Ela aparece de repente, tem curta duração e desaparece, na maioria das vezes sem deixar seqüelas. A gastrite pode ser ocasionada pelo uso de medicamentos, como aspirina e antiinflamatórios, ingestão de bebidas alcoólicas, fumo, situações de estresse (queimaduras graves, politrauma, etc).
                O que pode ou não afetar a gastrite é o desequilíbrio entre fatores que agridem a mucosa (ácido clorídrico, bile, pepsina, medicamentos ulcerogênicos) e a presença de fatores que protegem a mucosa (barreira mucosa, prostaglandinas, secreção mucosa). O desequilíbrio entre esses fatores ocasionam a lesão da mucosa.

Recomendações Gerais:
·         Faça de 05 a 06 refeições ao dia. Evite ficar mais de quatro horas em jejum.
·         Procure alimentar-se devagar, mastigando bem os alimentos.
·         Procure não fazer refeições pesadas antes de dormir;
·         Deixar de fumar é o ideal, mas reduzir o número de cigarros diários ajuda;
·         Evite tomar aspirinas, antigripais e comprimidos para dor em geral, pois podem provocar irritação da mucosa do estômago;
·         Evite refeições pesadas e gordurosas como feijoada, dobradinha, churrasco, etc;
·         Evite frituras em geral, como pastéis, bife à milanesa, coxinhas, etc;
·         Alimentos muito condimentados como picles, alguns legumes como pimentão e berinjela, são de difícil digestão. Se você perceber que seu estômago não “aceita” esses alimentos, evite-os;
·         Leite é estimulante da secreção ácida e não ajuda no tratamento de doenças do estômago. Porém o leite possui elementos nutritivos como cálcio. Portanto, tome leite com moderação;
·         Suco de laranja e outros cítricos são muito ácidos. Os refrigerantes são bebidas ácidas e gasosas que, além de irritarem o estômago, causam desconforto devido à expansão dos gases. Observe a sua tolerância, ou seja, verifique se há desconforto com a ingestão desses líquidos, visto que não é uma regra, e varia de acordo com cada indivíduo;
·         Bebidas alcoólicas, quando tomadas de estômago vazio, são irritantes da mucosa do estômago e causam desconforto desnecessário. Não beba em excesso ou de estômago vazio;
·         Não há dados que comprovem se os males do consumo excessivo do cafezinho são devidos à cafeína ou ao açúcar usado para adoçar. Se você tolera mais o café que outras pessoas, experimente substituir o açúcar por adoçante ou tomar menos xícaras por dia.

A tabela abaixo mostra os alimentos recomendados e aqueles que devem ser evitados, de acordo com o grupo alimentar!
Clique para ampliar!



Fonte: Caruso, Lúcia. Distúrbios do Trato Digestório. In: Cuppari, Lilian. Nutrição Clínica no Adulto. São Paulo: Manole, 2005.


segunda-feira, 16 de abril de 2012

CONSTIPAÇÃO INTESTINAL: VOCÊ SOFRE DESSE MAL?

Constipação intestinal: você com certeza conhece alguém que sofre ou que já sofreu desse mal, ou até mesmo você. O fato é que hoje em dia é difícil não encontrar pessoas queixando-se desse problema que tem se tornado cada vez mais comum. As facilidades da vida moderna e a correria do dia-a-dia acabaram por modificar os hábitos alimentares da das pessoas. Além disso, o sedentarismo e a falta de tempo, (sim, acreditem!), até mesmo para ir ao banheiro, faz com que esse problema seja muito freqüente, atingindo principalmente as mulheres.
A constipação ou obstipação intestinal mais especificamente do intestino grosso é caracterizada pela diminuição do número de evacuações, com fezes endurecidas e esforço à defecação. As principais causas da constipação estão relacionadas a hábitos deficientes de eliminação das fezes, tais como uma ausência de resposta imediata à necessidade de evacuar. Também são causas da constipação: falta de horário regular para ir ao banheiro e para se alimentar; baixo consumo de alimentos ricos em fibras; baixa ingestão de água (menos de 4 copos de água por dia); uso de remédios, inclusive os laxantes e a falta de exercícios físicos.
As fibras são um potente aliado na prevenção e no tratamento da constipação intestinal.  Farelo de trigo ou de aveia, cereais e grãos integrais, podem ser indicados como excelentes alternativas para aumentar o consumo de fibras na alimentação. É importante salientar que o consumo de fibras deve estar associado com uma boa ingestão de água. Pois somente dessa maneira as fibras poderão agir alterando o peso e a maciez das fezes. Dessa forma o ideal é consumir pelo menos 8 copos de água por dia!

RECOMENDAÇÕES 
§  Ingira no mínimo 8 copos  de água por dia;
§  Consuma alimentos ricos em fibras: pães e cereais integrais, aveia, frutas secas  (uva passa, ameixa seca), verduras e frutas com cascas;
§  Ao cozinhar verduras e legumes (cenoura, beterraba colocá-los em água já fervente para conservar as fibras;
§  Prepare os sucos sem coar;
§  Evite pimenta-do-reino e pimentas em geral;
§  Prepare os alimentos cozidos, assados, grelhados ou ensopados;
§  Utilize azeite de oliva para temperar legumes e verduras;
§  Utilize ervas aromáticas para temperar os pratos, tais como: salsinha, cebolinha, coentro, sálvia, alecrim, orégano, tomilho etc;
§  Consuma frango sem pele, peixes, carnes magras (sem gordura), coxão mole, patinho, coxão duro, lagarto, etc.
§  Mastigue bem os alimentos, para que sejam mais facilmente digeridos.

Fonte: CARUSO, Lúcia. Distúrbios do Trato Digestório. In: CUPPARI, Lilian. Nutrição Clínica no Adulto. São Paulo: Manole, 2005.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Dieta Antiglúten

O post de hoje traz uma reportagem publicada o Jornal Folha de São Paulo a respeito do glúten.  Essa proteína vegetal tem causado muito polêmica, já que a dieta sem glúten vem sendo realizada mesmo por aqueles que não possuem doença celíaca. Confira!

Dieta Antiglúten

Quase onipresente na alimentação, a proteína vegetal vem sendo acusada de tudo: do excesso de peso à enxaqueca; o que falta é comprovar cientificamente sua culpa
JULIANA VINES
DE SÃO PAULO
FERNANDA REIS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Antes praticada só por necessidade, a dieta sem glúten está conquistando novos adeptos: interessados em perder peso ou ganhar saúde. O cardápio, já adotado por celebridades como a atriz Juliana Paes, condena a farinha de trigo e seus derivados, como pão e macarrão, e proíbe qualquer alimento com aveia, malte, centeio e cevada -incluindo cerveja. A promessa é melhorar a função do intestino e, de quebra, acabar com males como a enxaqueca.
O glúten é uma proteína vegetal que, no organismo de pessoas sensíveis, pode provocar reações, entre elas diarreia, flatulência e fadiga. A sensibilidade mais comum é a doença celíaca, intolerância ao nutriente que atinge cerca de 1% da população.
Para quem tem a doença, ficar longe do glúten é fundamental. Para pessoas saudáveis, há controvérsia.
Recentemente, o Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª Região (que inclui o Estado de São Paulo) lançou um parecer oficial sobre o tema. O documento diz que o glúten só deve ser tirado da dieta se houver diagnóstico de doença celíaca, alergia ou sensibilidade ao nutriente.  "Nutricionistas estavam tirando a proteína da alimentação de pessoas que queriam emagrecer ou curar um problema digestivo, sem diagnóstico", diz Thiago Sacchetto de Andrade, nutricionista e conselheiro da entidade. "É errado. Glúten não faz mal para a população em geral."

BENEFÍCIOS
Nem bem. A proteína não faz diferença na nutrição. A publicitária Patrícia Nery, 38, deixou de comer glúten para emagrecer. De junho a dezembro do ano passado, perdeu 11 quilos. "Foi a única coisa que mudei na minha alimentação. Se quero comer macarrão, tudo bem. Só que como sem glúten", diz.  Ela conta que já havia seguido várias dietas sem sucesso. "Perdia peso em pouco tempo, mas recuperava. Hoje está mais fácil manter."  Regina Racco, 61, professora de ginástica, tinha falhas de memória. Pesquisando, achou estudos segundo os quais a alimentação sem glúten é boa para portadores de Alzheimer. Com orientação de nutricionista, cortou a proteína e, em oito semanas, perdeu 13 quilos. "Emagreci sem perceber. Minha compulsão por comida acabou." A memória, diz ela, melhorou.            
Especialistas concordam que a sensibilidade ao glúten pode ter muitos sintomas. A gastropediatra Vera Lúcia Sdepanian, chefe do ambulatório de celíacos da Unifesp, lembra de cabeça mais de 20 manifestações da doença celíaca, desde deficiências de vitaminas, dermatite e dor articular até osteoporose.
Mesmo quem não tem a doença pode manifestar algum tipo de sensibilidade, de acordo com a gastroenterologista Lorete Maria da Silva Kotze, professora da PUC-PR. "Há um espectro muito grande de desconfortos relacionados ao glúten. O nutriente é absorvido pelo aparelho digestivo, mas sua ação é sistêmica. Isso torna o diagnóstico mais complicado."
Ganho de peso não está na lista de sintomas associados à intolerância a glúten. Mesmo assim, alguns médicos acreditam que tirar o nutriente ajuda a perder peso. "A digestão dessa proteína é difícil, o intestino fica inchado. Pessoas com sobrepeso ou doenças crônicas deveriam tirar o glúten", diz a nutróloga Tamara Mazaracki, membro da Associação Brasileira de Nutrologia.  "É uma proteína que não faz falta. Sem ela, você se alimenta melhor. Em vez de ficar no pão com trigo, passa a consumir quinoa, milho."
Para a gastropediatra Lenora Gandolfi, da Universidade de Brasília, não há comprovação científica de que tirar o glúten faz perder peso. O mesmo pensa a nutricionista Lara Natacci, da DietNet. "Não é a ausência do glúten que emagrece. Ao cortar esse item, você troca alimentos gordurosos e industrializados por opções mais saudáveis. A perda de peso deve ser relacionada a isso." Para Vera Sdepanian, qualquer recomendação nutricional feita sem diagnóstico deve ser condenada. "A doença celíaca é séria, exige mudança de hábitos e pode ter consequências graves se não for tratada. A dieta é restritiva e difícil de ser seguida. Não pode ser para todos." O diagnóstico da intolerância alimentar pode ser feito com um exame de sangue, teste genético e, se necessário, biópsia do intestino.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo- Folha Equilíbrio São Paulo, terça-feira, 20 de março de 2012.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

MEL: MUITO MAIS QUE UM DOCE...


De sabor marcante o mel é muito utilizado no tratamento de gripes e resfriados, sendo que de todos os substitutos do açúcar, ele é o mais puro e natural. Mas o mel é muito mais que um simples doce. Desde a pré- história ele é utilizado, e isso foi constatado por meio das diversas referências em pinturas rupestres e em manuscritos e pinturas do antigo Egito, Grécia e Roma.
                O mel é uma substância viscosa aromática e açucarada obtida a partir do néctar das flores que as abelhas produzem. O aroma, o paladar, a coloração, a viscosidade e as propriedades medicinais irão depender da fonte do néctar utilizado, bem como da espécie de abelha que o produziu. Ele é composto basicamente por açúcares, água e outros compostos.
Os açúcares são os principais componentes do mel, sendo que a frutose e a glicose representam 80% da quantidade total. O mel também contém minerais, como cálcio, ferro, magnésio, cobre,  potássio, zinco e fósforo e vitaminas do complexo B e C.
Além de ser uma excelente fonte de energia e de nutrientes importantes, o mel contém inúmeros benefícios, portanto ele não deve ser visto apenas como um mero substituto do açúcar.
                Diversos estudos científicos já foram realizados a fim de esclarecer as propriedades desse alimento. Dentre essas propriedades, a atividade antimicrobiana é um dos efeitos mais ativos, sendo que diversos fatores são responsáveis por essa atividade.  Além disso, o mel também contém propriedades antissépticas e antibacterianas, fazendo com que ele seja muito utilizado em diferentes tratamentos profiláticos. Outros benefícios desse alimento são: poder cicatrizante, favorecendo a produção de tecido novo; fortalecimento dos ossos e músculos; ação digestiva e laxativa; e propriedade antianêmica. Tudo isso sem contar os benefícios para a pele, já que o mel é utilizado em diversos tratamentos estéticos.
No que se refere às calorias, uma colher (chá) de açúcar contém cerca de 40 calorias, enquanto que a mesma quantidade de mel contém 25 calorias. Além disso, o mel tem poder adoçante duas vezes superior ao do açúcar, podendo ser utilizado em bebidas, sucos, e em diferentes receitas.
É importante enfatizar que apesar de todos os seus benefícios para fins medicinais, o mel não deve ser utilizado como substituto de nenhum medicamento. Seu uso pode e deve ser feito a qualquer tempo, independente da presença de algum sintoma específico.  Deve-se lembrar também que o mel é um alimento energético, portanto seu consumo, embora possa ser diário (uma a duas colheres de sopa por dia são suficientes), deve ser feito sem exageros! Salienta-se que  indivíduos com diabetes mellitus devem evitar esse alimento tendo em vista que ele causa alterações rápidas na glicemia. Antes dos 3 anos de idade o mel também deve ser evitado, pois ele pode conter esporos da bactéria Clostridium botulinum, responsável pelo botulismo, o que pode causar intoxicações graves  nas crianças.

Fonte:
 - Mel. Disponível em: http://www.rgnutri.com.br/alimentos/propriedades/mel.php

segunda-feira, 26 de março de 2012

ABACATE: O QUE VOCÊ DEVE SABER SOBRE ELE...

Tido por muitos como uma espécie de “bomba calórica” disfarçada de fruta o abacate não é vilão como alguns pensam. Fruto originado do continente americano o abacate pode ser encontrado na América Latina e em outras regiões subtropicais e tropicais do mundo, sendo que o Brasil ocupa hoje o quarto lugar como produtor deste fruto, antecedido apenas pelo México, Estados Unidos e República Dominicana.
O abacate é rico em diversos nutrientes, especialmente em fibras e lipídios. Em comparação com outras frutas, tem um alto valor energético devido ao seu alto teor de gordura. Ele contém ainda uma quantidade considerável de proteínas e sais minerais quando comparado com outras frutas. No que se refere ao teor de lipídios (gorduras), o abacate é rico em ácido oléico.  
É importante destacar, que embora o abacate seja rico em gorduras, essa gordura é a do tipo monoinsaturada, que está relacionada com a diminuição do risco de doenças cardiovasculares. Essa gordura ajuda a diminuir o “colesterol ruim”, responsável pelo entupimento das artérias, e ajuda a manter os bons níveis de “colesterol bom” (HDL colesterol).
Outros benefícios também podem ser obtidos com o consumo de abacate: ricos em fibras solúveis, esse tipo de fibra diminui a absorção de gordura e de colesterol LDL (“colesterol ruim”), auxiliando no emagrecimento; contém substâncias antioxidantes que previnem o envelhecimento e possui ação antiinflamatória prevenindo e diminuindo a celulite.
                Justamente por ter uma quantidade elevada de gorduras o abacate é rico em calorias. E, portanto aqueles que necessitam de uma dieta com menor quantidade de calorias, devem consumi-lo com moderação, mas não é necessário bani-lo completamente do cardápio. Quanto à quantidade recomendada, o ideal é comer cerca de ¼ da fruta por semana, já que cerca de 100 gramas contém 162 calorias. A tabela abaixo mostra o valor nutricional do abacate:

Valor nutricional porção de 100g
Calorias
162 cal
Carboidratos
6.4 g
Proteínas
1,8g
Lipídeos
16 g
Fibras
2 g
Colesterol
g






Fonte:
·          Benefícios nutricionais do abacate. Disponível em: http://www.nutriweb.org.br/n0303/abacate.htm
·          Abacate. Disponível em: http://www.rgnutri.com.br/alimentos/propriedades/abacate.php

segunda-feira, 19 de março de 2012

Debulhando os orgânicos


O post de hoje traz uma matéria publicada no Jornal Folha de São Paulo, no dia 14 de Março de 2012 sobre os alimentos orgânicos. Embora esses alimentos tenham se tornado muito populares, ainda existem dúvidas à respeito deles. Confira!

Debulhando os orgânicos

LUIZA FECAROTTA
DE SÃO PAULO

Os alimentos orgânicos estão na moda -e não é de hoje-, dispensam agrotóxicos e nascem de um cultivo justo. Mas não são a salvação da lavoura. Para a pesquisadora Magali Monteiro, da Unesp, não dá para generalizar e cravar que o orgânico é melhor que o convencional.  "O orgânico não é a cura de todos os males, é uma opção nutricionalmente tão boa quanto os alimentos convencionais, mas sua produção é sustentável e respeita homem e ambiente. Isso é pouco?"
O que é certo é que o sistema convencional deixa resíduos químicos em "níveis preocupantes para a saúde", segundo estudo do agrônomo Moacir Darlot, do Instituto Agronômico do Paraná.

BANDEIRA
Na gastronomia, chefs têm levantado a bandeira dos orgânicos de forma cada vez mais ativa. Em um evento na semana passada, por exemplo, José Barattino, do Emiliano, apresentou ao público um de seus fornecedores, a Família Orgânica, na tentativa de estreitar os laços dos consumidores e produtores.
Trata-se de um grupo de pequenos produtores do interior de São Paulo, que respeita a sazonalidade -o que, para Barattino, lhes confere sabor mais característico-, e não usa aditivos químicos.
Já dizia Michael Pollan, autor de "Em Defesa da Comida - Um Manifesto", que a "segurança alimentar só se tornou um problema nacional depois que a industrialização da cadeia alimentar afrouxou os laços entre os produtores e aqueles que os comem".
Para a chef Tatiana Cardoso, do Moinho de Pedra, há 20 anos embrenhada no universo desses alimentos que crescem naturalmente, esse, de fato, é um elo importante. Ela, inclusive, inaugura o restaurante Natural com Arte, em Embu, nesta semana, no qual utilizará produtos colhidos de horta e pomar próprios -no máximo, compra isso e aquilo de algum produtor da vizinhança. "Uma agricultura sustentável não se faz hoje sem a participação do consumidor", diz Tatiana. Algo que esbarra com a clássica frase do norte-americano Wendell Berry: "Comer é um ato agrícola". Na explicação de Michael Pollan, o que está implícito é que "não nos limitamos a ser consumidores passivos de alimentos, mas somos cocriadores dos sistemas que nos alimentam".

PARQUES
No começo deste mês, orgânicos foram tema de um seminário na Câmara Municipal de São Paulo, que discutiu ações como a abertura de parques para feiras de produtos sem agrotóxicos. O parque Burle Marx foi o primeiro a integrar o roteiro, desde o fim de 2011. Na mira estão os parques Ibirapuera e Carmo.

O QUE PRIORIZAR?
Para ingerir menos veneno, a principal recomendação de especialistas é que o consumidor busque alimentos de sua região e em suas respectivas épocas -sejam orgânicos ou não. "Se eu tivesse de priorizar, escolheria um grupo de alimentos", diz a chef Tatiana Cardoso. "O pimentão, por exemplo, chega a ter 70% de agrotóxico. Se você não pode consumir pimentão orgânico, não coma pimentão." Para ela, os que acumulam mais defensivos são tomate, batata, morango e uva.


ORGÂNICOS EM POUCAS PALAVRAS
A produção orgânica leva em consideração a qualidade de vida do homem -de quem produz e de quem consome- e do ambiente. Dispensa qualquer tipo de substância química.


MAIS ENERGIA?
Não existem pesquisas que cravem que produtos orgânicos têm mais nutrientes do que os convencionais. Uma pesquisa feita na Dinamarca concluiu que o sistema de cultivo pouco influencia a qualidade proteica e o valor energético dos alimentos. Sabe-se, no entanto, que os alimentos convencionais geralmente têm mais água do que os orgânicos, pois são "alimentados" com nitrogênio e incham rapidamente.


O TABU DO PREÇO
Produtos orgânicos costumam ser mais caros nos supermercados. Se comprados do produtor, têm preços melhores. "No Brasil, temos de comprar em feiras orgânicas ou em cestas de entrega. Eu fugiria de supermercados, que consideram que é um produto de elite", diz a chef Tatiana Cardoso, do Moinho de Pedra.


O GOSTO E O PERFUME
Alguns estudos que avaliam sabor e aroma mostram uma leve superioridade do produto orgânico em relação ao similar convencional. Por serem colhidos apenas em sua época, são produtos capazes de exibir sabor e aroma típicos, sem interferência de substâncias químicas.


POR FORA
É difícil identificar produtos orgânicos a olho nu. Recomenda-se localizar os selos de certificação orgânica, que garantem que aquele alimento respeita as etapas de produção, ou conversar diretamente com os produtores. Geralmente, produtos orgânicos são mais irregulares, apresentam rendimentos oscilantes de safra para safra e são menos vibrantes -em cor e tamanho.


TEMPO DE PRATELEIRA
Produtos orgânicos são mais firmes, mais vigorosos e têm mais fibras e matéria seca -normalmente, têm uma estrutura interna mais robusta. Sua durabilidade na geladeira costuma ser superior à dos convencionais. Crescem naturalmente e agregam elementos que os protegem. Produtos convencionais crescem exageradamente rápido, estimulados por adubo químico. Por isso, costumam ser mais frágeis. De maneira geral, as folhosas de produção orgânica (como alface, rúcula, almeirão etc.) têm vida de geladeira bem mais longa que os convencionais.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo, São Paulo, quarta-feira, 14 de Março de 2012. Debulhando os orgânicos.

J Saiba mais sobre os alimentos orgânicos lendo o post “ALIMENTOS ORGÂNICOS: VALE A PENA PAGAR MAIS CARO?” publicado aqui no blog Nutrição & Qualidade de Vida em Junho de 2011.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Os Benefícios do Licopeno

Você com certeza já ouviu falar em radicais livres, certo? Se não, eles são átomos ou moléculas produzidas continuamente durante os processos metabólicos e atuam em diversas reações bioquímicas e outras funções importantes no nosso organismo. A produção excessiva de radicais livres pode levar a sérios danos celulares e sua cronicidade pode estar envolvida com o desenvolvimento de uma série de doenças, dentre elas o câncer, por exemplo.
Essas lesões nas células podem ser evitadas ou reduzidas por meio da atividade dos antioxidantes que neutralizam a ação dos radicais livres, sendo essas substâncias encontradas em diversos alimentos. Dentre os antioxidantes podemos destacar a vitamina C, o ácido úrico, a vitamina E e os carotenóides, como o licopeno.
O licopeno aparece atualmente como um dos mais potentes antioxidantes, sendo sugerido na prevenção da carcinogênese e aterogênese por proteger moléculas como lipídios, lipoproteínas de baixa densidade (LDL), proteínas e DNA. Ele é reconhecido mundialmente como um potente antioxidante, capaz de minimizar os riscos de ataques cardíacos, pois a substância impede a oxidação do LDL, popularmente conhecido como mau colesterol, responsável pela formação das placas de gordura no sangue e, conseqüentemente, pela ocorrência de acidentes cardiovasculares, infartos do miocárdio, etc. Alguns estudos mostram ainda, uma associação entre os níveis elevados de licopeno e a menor ocorrência de câncer de mama devido a sua ação sobre os radicais livres, minimizando o estresse oxidativo, uma das causas da doença.
Uma pesquisa realizada pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, com 48 mil homens, concluiu que o consumo deste carotenóide pelo menos 2 vezes na semana reduz em 34% os riscos de câncer de próstata. Outro estudo realizado pela mesma instituição avaliou durante um período de 10 anos, 1000 mulheres e concluiu que aquelas que consumiam este nutriente apresentavam menores riscos de problemas cardíacos, isto porque esta substância impede a oxidação de LDL colesterol.
O licopeno não é produzido pelo organismo, portanto para obtê-lo você deve ingerir alimentes que o contenha. As principais fontes de licopeno são os tomates e derivados: o tomate cru tem, em média, 30mg de licopeno/kg; o suco de tomate tem cerca de 150mg de licopeno/litro; e o catchup contém em média 100mg/kg. O consumo de molho de tomate aumenta as concentrações séricas de licopeno em taxas maiores do que o consumo de tomates crus ou suco de tomate fresco. Além disso, o licopeno presente nos tomates irá variar conforme o tipo e o grau de amadurecimento: o tomate vermelho maduro contém maior quantidade de licopeno que de beta-caroteno, sendo responsável pela cor vermelha predominante.
A absorção do licopeno é melhor quando o alimento é submetido ao calor, pois o calor rompe as membranas celulares e libera o licopeno de uma matriz de proteínas e fibras. Dessa forma, as melhores fontes são molhos e sucos de tomates. Quanto à quantidade diária recomendada, meio litro de suco de tomate por dia, por exemplo, é suficiente para que você possa usufruir de todos os benefícios que o licopeno pode lhe oferecer!

J Para saber mais sobre antioxidantes e radicais livres clique no link “Nutrição & Estética”.

Fonte:
·          Shami, N.J.I.E ; Morera, E.A.M. Licopeno como agente antioxidante. Rev. Nutr. vol.17 nº.2 Campinas Apr./June 2004
·          Fisberg, M. Benefícios do Licopeno para a Saúde Humana. Rev. Nutrição em Pauta. Disponível em: http://www.nutricaoempauta.com.br/busca.php?search=Prof. Dr. Mauro Fisberg
·          Coca, F. C. Os benefícios do licopeno. IMEN- Instituto de Metabolismo e Nutrição. Disponível em: http://www.nutricaoclinica.com.br/2005080383/nutricao-clinica/os-beneficios-do-licopeno